WhatsApp

+55 55 999436007

Anuncie aqui
Choque térmico

Ciclones extratropicais estão mais frequentes no RS? Veja o que a ciência diz

Nos últimos anos, fenômenos climáticos passaram a apresentar maior intensidade e potencial de danos no Rio Grande do Sul.

03/06/2026 08h32
Por: Redação
Fonte: gauchazh
Jonathan Heckler / Agencia RBS
Jonathan Heckler / Agencia RBS

Ao contrário do que se poderia imaginar por conta dos estragos causados nos últimos anos, ciclones extratropicais não se tornaram mais frequentes no Rio Grande do Sul. O que aumentou, segundo pesquisadores, é a intensidade deles. Por consequência disso, as mudanças climáticas no planeta tendem a deixá-los mais agressivos no futuro.

A preocupação para especialistas e órgãos públicos em 2026 é a influência que um provável "super" El Niño pode causar no Estado, já que o fenômeno costuma fortalecer ciclones.

Ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica que se forma fora das regiões tropicais, ou seja, nas médias e altas latitudes do planeta. Ele extrai a "força" do calor dos oceanos e nasce do choque térmico entre massas de ar com temperaturas diferentes.

— O ciclone funciona como um sistema de defesa do planeta para manter o equilíbrio térmico. O RS está posicionado em uma área estratégica para a ocorrência desse fenômeno, pois recebe massas de ar frias e quentes — explica Leydson Dantas, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O estudioso contextualiza que o Inmet tem uma rede de monitoramento, com estações próprias e imagens de satélite,  e também recebe dados de outros países sobre as condições do planeta. Com isso, é possível prever a ocorrência do fenômeno e emitir alertas.

— Temos um horizonte de previsão de sete dias para saber se vai haver um ciclone no Rio Grande do Sul. No caso da rota, o ideal é atualizar a cada 48 horas para observar se vai se confirmar. A intensidade, por sua vez, deve ser analisada a cada seis ou 12 horas, para ter tempo de um planejamento estratégico dos órgãos locais — explica.

Porém, o Inmet não divulgou informações sobre frequência e quantidade dos ciclones no Estado. A reportagem fez o mesmo pedido para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mas não recebeu o levantamento até o fechamento da reportagem.

Monitoramento acadêmico

O comportamento de ciclones, entretanto, é objeto de estudos acadêmicos. Segundo Michelle Simões Reboita, professora de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), de Minas Gerais, a costa leste da América do Sul possui três regiões favoráveis à formação de ciclones: sudeste e sul do Brasil – onde se encaixa o Rio Grande do Sul –, Uruguai e sul da Argentina. 

Em cada área, há ocorrência de ao menos quatro por mês. No entanto, os estudos feitos pela pesquisadora com dados de 1980 a 2025 mostram uma estabilidade na quantidade de eventos do tipo, mas com aumento de intensidade.

— Os ciclones extratropicais têm origem próxima da costa e se deslocam para leste ou sudeste atingindo maior intensidade quando mais afastados (em alto-mar). Porém, vários casos de ciclones desde 2023 têm se formado entre o nordeste da Argentina e o oeste do RS. Assim, apresentam intensificação sobre o continente, causando mais danos à sociedade — destaca a pesquisadora, doutora em meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP).

Outra preocupação dos especialistas é a de um futuro com o planeta ainda mais aquecido por conta das mudanças climáticas. Nos últimos anos, os principais centros de medição indicam que a Terra tem quebrado recordes de temperatura média atmosférica e oceânica.

— Meus estudos com colaboradores na linha das mudanças climáticas indicam que na região do sul do Brasil e Uruguai há uma tendência de aumento da frequência de ciclones, bem como de sua intensidade, o que se reflete em ventos mais intensos e maiores volumes de precipitação — acrescenta a professora.

Além do longo prazo pessimista, os próximos meses podem ser problemáticos no Estado por conta da possibilidade de um "super" El Niño, caracterizado pelo aquecimento acima da média e persistente do Oceano Pacífico equatorial.

— Se naturalmente há eventos extremos no RS, com o El Niño eles tendem a ser mais frequentes. Os anos de 2023 e 2024 são exemplos disso. Não podemos afirmar que toda vez que o fenômeno ocorrer vai provocar inundações da mesma forma, mas a ciência mostra que o ambiente atmosférico é favorável — sugere Francisco Aquino, climatologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias